Brasileiros no Canadá

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Como se vota no Canadá?

Posted by José Francisco V. Schuster em 25/10/2010

A cédula eleitoral, tamanho de uma folha ofício

A urna eletrônica canadense

Hoje é dia de eleições municipais em Toronto e na região metropolitana Todo cidadão canadense pode votar, mas o voto é facultativo. Os imigrantes (regulares) tornam-se cidadãos após viverem cerca de quatro anos no Canadá e fazerem uma prova sobre a história, a geografia e a organização social e política do país. Como a prova é em inglês, ali já demonstra que possui conhecimento de um dos idiomas oficiais do país. Como Canadá e Brasil permitem por suas leis a dupla cidadania, há muitos brasileiros que votam em ambas as eleições aqui.

O “título eleitoral” é enviado pelo correio e vale só para uma eleição, sendo recolhido pela mesa. Há a possibilidade de votar com antecedência, uma ou duas semanas antes, em locais determinados.

Nas eleições municipais, o sistema é de “salve-se quem puder”, com os candidatos a prefeito e vereador não manifestando sua opção partidária nem mesmo discretamente. Como é cada um por si e Deus por todos, você também jamais verá um foto de candidato a vereador abraçando um candidato a prefeito. Sao propostas pessoais, não partidárias, portanto.

O eleitor vota três vezes: para prefeito, para vereador e para a direção do sistema escolar. O detalhe  é que existem três sistemas escolares: o público, o católico e o em francês, todos mantidos pelo governo. O eleitor, portanto, deve escolher entre três cédulas eleitorais, contemplando o sistema escolar de sua preferência. A cédula eleitoral é uma folha de tamanho ofício, aproximadamente.  Em uma cabinezinha de papelão, similares às brasileiras, o eleitor usa uma caneta tipo daquelas de escrever em CD para juntar a ponta e o ” rabo”  da seta que aponta para o candidato de sua preferência.

Observem que há uns 40 candidatos a prefeito. Como nas eleições presidenciais do Brasil deste ano, porém, havia dois candidatos na dianteira (Rob Ford e George Smitherman), um distante na terceira posição  (o atual vice-prefeito Joe Pantalone) e o resto era tracinho nas pesquisas. As eleições para vereador, por sua vez, são distritais. Só se pode votar nos candidatos do seu ” bairro” (ward), vamos assim dizer. Cada bairro tem uma meia dúzia de candidatos.  Os “bairros”  das eleições para a direção das escolas são muito maiores, mas tem menos candidatos.

Depois de votar, o eleitor entrega o voto dentro de uma cartolina ao mesário. O mesário puxa o voto, com o lado escrito virado para baixo, da cartolina para a urna eletrônica – na verdade uma leitora ótica. O eleitor não leva nenhum comprovante de que votou, afinal o voto é facultativo.

Menos de uma hora após o fechamento das urnas, cerca de 90% dos votos estavam apurados, confirmando-se a eleição do polêmico Rob Ford para prefeito.  Os portugueses estarão representados na Câmara de Vereadores com a eleição de Ana Bailão. Já o português Tony Letra perdeu em seu bairro para o equatoriano Cesar Palacio, que buscava a reeleição.

Uma curiosidade é que, para a prefeitura de Mississauga, reelegeu-se pela décima segunda vez a prefeita Hazel McCallion – isso que ela tem nada menos do que 89 anos.  Ela praticamente fez de Mississauga o que ela é hoje, a segunda cidade mais importante da região metropolitana, concentrando filiais da maioria das empresas mais importantes do mundo, segundo a revista Fortune. De cidade periférica, portanto, não tem nada, muito antes pelo contrário.

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