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PIN fecha após mais de 30 anos assistindo a comunidade

Posted by José Francisco V. Schuster em 05/04/2009

Voto decidiu fim do PIN

Voto decidiu fim do PIN

Com massacrantes 17 votos a favor, um contra e uma abstenção, bastou menos de uma hora de assembléia para selar o fim dos mais de 30 anos de história da Associação Portuguesa de Serviços Comunitários, mais conhecida pela sigla  PIN (Portuguese Interagency Network). A decisão foi tomada na última terça-feira, em reunião na sede da Catholic Childen’s Aid Society, localizada no segundo andar do Dufferin Mall. Os vilões desta perda para a comunidade de língua portuguesa de Toronto, segundo a presidente, Cidália Pereira, seriam os governos de todos os níveis (federal, provincial e municipal), que começaram há duas décadas a reduzir drasticamente os recursos para a assistência social, especialmente o da província do Ontário durante a gestão do primeiro-ministro Mike Harris, de 1995 a 2002. Assim, o PIN fechou suas portas com um orçamento para 2009 de irrisórios nove mil dólares, concedidos pela prefeitura de Toronto. CONTINUA…


Cidália explica que o PIN foi especialmente prejudicado pelos governos por seu objetivo não ser prestar serviços diretamente ao público, mas através de outras agências, servindo como um elo de ligação entre os prestadores de serviços à comunidade portuguesa. “Fomos uma das primeiras agências de administração portuguesa (só havia uma ou duas pequenas à época da criação) e bucamos oferecer mais trabalhadores de expressão portuguesa para ajudar a comunidade, através de parcerias”, conta ela, explicando que os serviços eram oferecidos em associações, centros comunitários e bibliotecas.
Segundo a presidente, com a mudança do clima político no Canadá, o PIN foi muito prejudicado. “Não éramos (os portugueses) uma comunidade nova para a imigração para justificar pedir fundos e, como não prestávamos serviços diretamente, não tínhamo estatísticas para oferecer”, disse ela. Assim, o PIN regrediu de uma equipe com diretor executivo, secretária full time e dois a a três funcionários  para uma funcionária de meio-turno há 10 anos. “Foi uma luta constante para levar as coisas à frente, para fazer serviços de boa qualidade para a comunidade. Ficamos muito fracassados”, lamenta Cidália, frisando que “não tomamos a decisão de fechar apressadamente, foi após 10 anos de dificuldades. Muito antes de eu entrar como presidente, já diziam que deveria ter fechado há muito mais tempo”.
“É uma perda para a comunidade, pois nenhuma outra organização trabalha em ver as necessidades da comunidade e desenvolver projetos de pesquisa de educação cívica e pública”, afirma a última coordenadora do PIN, a brasileira Naly Lima, que passou até o último dia oferecendo muito mais horas de trabalho do que deveria. “A união faz a força. Quando as organizações estão separadas, ficam muito enfraquecidas”, argumenta ela. Pela metade, por exemplo, ficou um projeto de educação sexual dos jovens, onde jovens seriam mentores de outros jovens. Naly ainda sonha com a criação de uma organização para suceder o PIN, igualmente se preocupando em “atender às necessidades sociais da comunidade, de qualidade de vida, dos problemas diários que as pessoas enfrentam”. Até lá, não haverá elo a ligar as organizações que atendem a comunidade portuguesa, onde se destacam o Centro Abrigo, o Working Women Community Centre e a Casa São Cristóvão, onde ainda pode ser buscada ajuda.

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