Brasileiros no Canadá

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Pesquisa mostra cara do Brasil no Canadá

Posted by José Francisco V. Schuster em 27/08/2008

A dificuldade em obter emprego, especialmente o primeiro, a falta de conhecimento de inglês, o clima muito frio e a solidão são os principais problemas dos brasileiros no Canadá, atingindo indistintamente legais e ilegais. Esta é uma das conclusões da primeira pesquisa feita com a comunidade brasileira no Ontário, realizada pelo Centro de Informação Comunitária Brasil-Angola. Pesquisadores do CIC Brasil-AngolaO resultado da pesquisa “Brasil, mostra a tua cara”, respondida por 622 pessoas entre 1º de maio e 15 de junho do ano passado, foram apresentados na manhã do último sábado na Faculdade de Enfermagem da Universidade de Toronto.

“É um momento muito importante, de alegria e emoção, pois agora poderemos oferecer dados consistentes para pedir financiamentos que permitirão oferecer programas que a comunidade necessita e influenciar em políticas”, disse a presidente da direção do Centro, Jussara Lourenço, que esteve envolvida por dois anos com o projeto. “Trabalhamos há nove anos sem nenhum financiamento, em total voluntariado”, afirmou.

A pesquisadora-chefe, Lilian Magalhães, apresentou os dados, consolidados em um livreto de 56 páginas, junto com os pesquisadores Denise Gastaldo, Adão Hentges e Guilherme Martinelli. Ela advertiu, porém, que os resultados devem ser analisados com certa cautela, pois a percepção do cotidiano às vezes não coincide com os dados da pesquisa. “Ela aponta que 80% dos brasileiros estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida no Canadá, embora a experiência do Centro Brasil-Angola seja de que há muitas dificuldades”, observou. Hentges também ressaltou que “não se devem superestimar os resultados, que são restritos à amostra”.

Dos brasileiros que responderam à pesquisa, 75% são residentes permanentes ou cidadãos do Canadá, 69% tem curso universitário ou pós-graduação, 63% são mulheres e o estado de maior procedência é São Paulo, com 38%, ficando Minas Gerais em segundo, com 15%. “Uma nova pesquisa poderá confrontar estes números”, disse Hentges, lamentando não ter podido contar com os dados estatísticos das carteiras de motoristas do Ontário ou do cadastro do Consulado-Geral do Brasil.

O cônsul-geral adjunto do Brasil em Toronto, José Gilberto Jungblut, que ressaltou a importância da pesquisa para melhorar o atendimento ao público brasileiro, afirmou que a partir da implantação em breve do passaporte biométrico, o consulado passará a contar com um banco de dados informatizado. “Passados cinco anos, que é o prazo de validade de um passaporte, teremos dados completos confiáveis sobre a comunidade”, observou.

A pesquisa apresenta  uma série de recomendações para ações comunitárias e políticas públicas para que a comunidade brasileira seja melhor atendida. Entre elas, facilitar o reconhecimento da qualificação profissional obtida no Brasil e o fornecimento de ajuda confiável aos ilegais. “Há muitos relatos de golpes por conselheiros de imigração”, disse Lilian. Ela teme ainda que os adolescentes ilegais, aos quais são negadas oportunidades de estudo e trabalho, caiam na criminalidade e sejam deportados, criando um problema semelhante ao hoje enfrentado pelos Açores. Outra idéia é que, como em Israel, seja permitido aos residentes permanentes participarem ao menos das eleições municipais. Também foi sugerido que  sejam colocados folhetos nos consulados canadenses no Brasil para que os imigrantes cheguem com pelo menos informações básicas.

Lilian afirmou que através da pesquisa mantém-se a projeção de que a comunidade brasileira no Ontário tenha cerca de 15 mil pessoas. Com esta primeira pesquisa na mão, será possível buscar verbas públicas para uma segunda edição. “Meu sonho é que atinja o Canadá todo”, afirmou ela. A pesquisadora-chefe pediu ajuda, porém, para o primeiro passo, que é encontrar voluntários para traduzir para o inglês os resultados, disponíveis no site http://www.centrobrasilangola.org/ brasilmostratuacara.

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